DESENHOS SÃO PARA A GENTE FOLHEAR, SÃO PARA SEREM LIDOS QUE NEM POESIAS, SÃO HAICAIS, SÃO RUBAES, SÃO QUADRINHAS E SONETOS.
Mário de Andrade, "Do desenho"

22 de set de 2015

PUBLICIDADE E INTERVENÇÃO.

A publicidade também se conecta com a "arte de rua". Leia os dois textos a seguir, que fazem parte de uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo de 3 de julho de 2006.

BRIGA DE RUA
Publicidade usa estratégias de "arte de rua" e artistas "revidam" em intervenções.
Por Rafael Cariello e Tereza Novaes (da reportagem local)

A arte e a propaganda estão nas ruas, disputando o espaço público (e o privado também).

O "confronto" na cidade é resultado, pelo lado da propaganda, da adoção de estratégias de divulgação não-convencionais, com empréstimos (bastante diluídos) de formas artísticas tradicionalmente consideradas "transgressoras"-como o grafite e a performance de rua.

É cada vez mais frequente encontrar nas grandes cidades do Brasil pichações em muros e postes que fazem a divulgação de produtos, de novos modelos de celulares a filmes em cartaz. Outro recurso é criar "acontecimentos" performáticos inusitados para gerar curiosidade nos consumidores.

Recentemente, em São Paulo, a agência Avalanche criou uma "performance" para promover uma revista que tinha como lema a defesa de "boas emoções". Escalou grupos de 30 pessoas para percorrerem a avenida Paulista, misturando-se aos outros pedestres, e de tempos em tempos se "congelarem" em meio à agitação local.

Paravam todos nas calçadas, nos cruzamentos, nas faixas de pedestres em "protesto", diz sócio da agência João Fernando Camargo, "contra a violência, crises, tragédias".

Manifestantes profissionais

Os mesmos publicitários realizaram outro ato que gerou estranhamento no centro da cidade. Contrataram "manifestantes" profissionais para, por três dias, realizarem passeatas que exigiam a instalação de uma academia de ginástica na região. Só ao final dos "protestos" é, que por meio de divulgação tradicional, ficou claro que os protestos-performance na verdade eram uma ação publicitária para o lançamento da academia exigida.

Noutro exemplo, a Espalhe, agência que também faz empréstimos de "arte de rua" para vender seus produtos coordenou uma campanha para uma série de suspense da TV paga em que desenhava perfis de corpos humanos a giz nas ruas de São Paulo, simulando as marcações da polícia americana em locais de assassinatos.

A ideia, diz Camargo, é que "tudo é mídia", como os publicitários se referem aos meios de suporte de seus anúncios (sejam eles outdoors, páginas de revistas ou a tela da TV), e que as mídias tradicionais estão saturadas e não prendem mais a atenção dos consumidores.

" A ideia é levar a propaganda para o dia-a-dia, sair da moldura do outdoor, da TV e dialogar com as pessoas", defende o publicitário. "Há uma saturação dos meios tradicionais, além do custo ter aumentando." 

Tanto Camargo quanto Gustavo Fortes, sócio da Espalhe, dizem que o uso de "arte de rua" ou de meios não-convencionais para a propaganda ainda é escasso, já que as agências vivem dos gastos de mídia tradicional, cobrando de seus clientes pelo espaço comprado em TV, jornal ou outdoor.

A nova tendência também é limitada pelo uso vagaroso, atrasado - mas inevitável - que a propaganda sempre faz de formas artísticas. "Isso [a expansão para a rua] começou na arte nos anos 70. A propaganda é que foi reticente e demorou a incorporar a ideia a suas estratégias", afirma Camargo.

Pelo lado da arte, trata-se de mais um questionamento de seus limites formais e da incorporação de práticas antes marginais (como grafite).

Um dos exemplos brasileiros mais característicos dessa tomada das ruas pelas obras está no vídeo "Atentado", que registra as "pinturas" sobre outdoors feitas pelo artista paulistano Eduardo Srur, 32. Ele dispôs bexigas cheias de tinta sobre outdoors e depois usou pavio e bombinhas para estourá-las. As imagens das propagandas serviram de base da "obra".

O artista alterou o visual de 40 outdoors de São Paulo. As ações de Srur nãe eram autorizadas e os cartazes foram substituídos. O vídeo de três minutos e meio de duração, integra a exposição "Paradoxos Brasil", em cartaz no Paço Imperial, no Rio, e também está em exibição numa mostra aberta nesta semana em Dijon , na França.

CIDADE-ESTÚDIO

Para ele, que iniciou a carreira pela pintura, o "Atentado" é "expansão" de seu trabalho.

"A cidade virou meu estúdio. Não acho que a arte tenha que buscar um confronto com a mídia exterior. A cidade é uma fronteira a ser explorada. Para mim, é difícil desenvolver trabalhos dentro do cubo branco."

O criador do Wooster Collective, galeria virtual que apresenta obras de arte de rua de todo mundo, Marc Schiller (leia texto abaixo), sintetiza a diferença entre os usos que a arte e a propaganda fazem dos muros e das ruas da seguinte maneira: " Trata-se, para a arte, de se reapropriar do espaço público, da cidade, enquanto a propaganda trata de comprá-lo".

Marcelo Cidade, artista selecionado para a próxima Bienal de São Paulo, diz que "há na arte hoje uma relação com o espaço urbano, que está todo ocupado pela publicidade".

O artista, que também é grafiteiro (e considera a prática "vandalismo"), observa que "a publicidade está usando as táticas dos grafiteiros para ganhar espaço sem gastar dinheiro".

Um exemplo recente que ainda está nas ruas de São Paulo é o do filme "A Concepção", cujo logotipo foi espalhado com spray em postes, muros e caixas de energia. A produtora do filme não reconhece a autoria da "campanha" nem sabe dizer se a mídia ajudou ou não,

"ARTE QUER SE REAPROPRIAR DAS RUAS"
Reportagem local

Marc Schiller, 41, criador da galeria virtual Wooster Collective (www.woostercollective.com), defende que a intervenção artística em propagandas no espaço urbano, como a realizada por Eduardo Srur, é uma das formas por excelência da arte de rua.

De acordo com Schiller, a essência desse tipo de manifestação está na retomada (e na conquista) do espaço público. Sua forma mais tradicional é o grafite. Já a essência da propaganda, continua, é a compra do espaço público.

"Se você se reapropriar de um espaço que havia sido comprado", ele diz, em referência aos outdoors, "isso é reapropriação ao máximo". Schiller afirma que o recurso da propaganda a formas de arte de rua, como o grafite, é "uma tendência global", porque as mídias tradicionais "têm se tornado cada vez mais ineficazes".

"Os publicitários tentam explorar modos não-tradicionais para atingir as pessoas. A arte de rua é um bom recurso porque é energética e consegue impactar as pessoas", diz.

"Mas não é arte, não é grafite, é uma imitação", diz o "curador" sobre essas novas formas de propaganda.

Ele cita o exemplo específico do grafite, que, para ele, por definição, não pode ser pago ou legalizado, já que parte de sua realização é a conquista de um local - o que a compra perverteria completamente. 

REFLETINDO PARA COMENTAR:

- Por que a publicidade vem utilizando estratégias da "arte de rua"?

- O fato de a publicidade usar estratégias de "arte de rua" faz com que ela possa ser considerada arte? Justifique sua resposta.

- Você considera legítimo o uso de publicidade na rua, em outros suportes que não outdoors, tal como relatados nos textos? Justifique.

- E a intervençãodo artista no outdoor, você considera legitíma?

- Registre o sprincipais pontos dessa discussão em seu caderno.
 

14 comentários:

Anônimo disse...

Welaine 3B
A publicidade vem usando a "arte de rua" por que é cada vez mais comum nós vermos manifestações nas ruas para chamar a atenção para determinada situação, e para a publicidade não seria diferente, e teria um maior alcance nas divulgações.

Por um lado não deixa de ser uma "manifestação" usando movimentos do corpo e outros métodos artísticos mas a publicidade faz tudo para lucrar e eu não considero isso arte, arte para mim é quando se é feito porque gosta independentemente se vai lucrar com isso ou não

Para a publicidade qualquer lugar que dê para divulgar é válido, seja na rua, tv, panfletos e etc, afinal eles tem que "vender o peixe"

Por um lado não, eu acho que a intervenção do artista terá "mais resultados" se ela estiver interagindo com o público, as pessoas parando para olhar e etc e no outdoor ela fica ali parada.

Layane Ferraz disse...

Layane 3B
A publicidade vem utilizando a "arte de rua" para ter um alcance maior nas divulgaçoes, pois as manifestaçoes nas ruas para chamar a atençao de alguma situação, vem sendo mais comun nas ruas.

Não, pois arte é aquilo que se faz por amor, porque gosta e sem nada em troca e ja a publicidade usa a "arte de rua", nao por amor a arte e sim para lucrar.

Qualquer lugar que dê para divulgar e fazer seu marketing é válido para a publicidade, seja nas ruas, TV, planfetos ou outdoor.

Talvez não pois a intervenção do artista teria um alcance maior interagindo com o público, pois muitas vezes as pessoas não param para ler o que está escrito no outdoor.

Anônimo disse...

SAMIR GEORGES ABDUL NOUR Nº28 3ªC

1- Sim, pois ela expressa algo, tanto seja do interior do ser de quem a faz, como a propaganda contratada.

2- Considero legítimo pois a expressão da arte de rua é mais atenuante e quer dizer muito mais, do que diria um simples outdoor.

3- Não, a expressão vale mais que outdoors além de serem caros.

4- A expressão em gestos palavras, desenhos, mímicas, reproduz com muito mais efeito uma obra do que cartazes.Eles parecem que têm vida e todos prestam atenção, param e olham enquanto que outdoors são como seres inanimados, sem vida.

Anônimo disse...

Juliani - 3A

A publicidade adotou essa ideia como uma forma inovadora para vender seu produto,ja que hoje em dia os meios de propaganda mais comuns não prendam mais a atenção de seus consumidores.Esse meio pode ser considerado arte,pois faz parte de uma manifestação feita por publicitarios que esta ligada a estetica da propaganda de seu produto.Pode ser aceita,toda e qualquer forma de expressão,que possa atrair o público.A estratégia ''arte na rua'' é uma ótima ideia para chamar a atenção,ja que a maioria da população observa o que se passa pela cidade, da mesma forma que a intervenção do artista em outdoor é considerada legitima por transmitir uma mensagem ao publico,mesmo não sendo de algum produto.

Anônimo disse...

Kathyn Iza Silva N°22 3°A

Fácil e pratico de chamar atenção de todos é usado a arte de rua , que hoje em dia é comum em diversos lugares como meio de propaganda , assim como as agências publicitaria a arte de rua é um método mais eficaz de ser divulgado aquilo que convém para os consumidores, além de ser feito com um proposito positivo as demais pessoas é um ato de expressão .Usar outdoor hoje em dia se torna algo caro é não tem o mesmo efeito que teria com a arte de rua , tanto um como o outro podem ser usados, mais não tem o mesmo intervenção artística, outdoor é algo padrão que transmite mensagem a todos , mesmo que não seja pra divulgar algum produto.

Anônimo disse...

Gabriel de Castro Nunes 3°A
Por que usar uma fonte de publicidade q nem tds tem acesso simultaneamente como a tv, rádio e o jornal com a msm atençao de antes, Se pode se usar a rua como fonte de publicidade? Hj em dia tds as pessoal saem na rua nem q seja para comprar um pão, e veem cores e coisas ao seu redor q chamam a atenção, por isso a publicidade de "arte de rua" optou por dar esse novo ar de transmissao de informaçoes ao publico q quer atingir, ou seja... Tds q estão nas ruas (td mundo).

Anônimo disse...

Gabriel de Castro Nunes 3°A
Por que usar uma fonte de publicidade q nem tds tem acesso simultaneamente como a tv, rádio e o jornal com a msm atençao de antes, Se pode se usar a rua como fonte de publicidade? Hj em dia tds as pessoal saem na rua nem q seja para comprar um pão, e veem cores e coisas ao seu redor q chamam a atenção, por isso a publicidade de "arte de rua" optou por dar esse novo ar de transmissao de informaçoes ao publico q quer atingir, ou seja... Tds q estão nas ruas (td mundo).

Anônimo disse...

Thalita da Silva Menezes, N°:39 3°A

A publicidade vem usando a arte de rua porque é comum vermos várias manifestações para para chamar atenção de algo,e para a publicidade não seria diferente para ter um alcance maior nas divulgações.

Não, arte seria algo que faz porque gosta, feito por sentir vontade em fazer,e arte de rua é algo que eles lucram pra fazer, algo que chame atenção.

Não , pois mesmo que sejam um pouco mais caro a divulgação é uma publicidade mesmo sendo em outdoors , tv, planfetos .

Talvez não , pois a intervenção do artista seria melhor com algo mais ligado que chame mais atenção ao público , nem sempe as pessoas param pra ver o que está no outdoor.

Anônimo disse...

Bianca Carvalho Silva 3ºA nº06

A publicidade usa a arte de rua pois frequentemente vimos manifestações para chamar a atenção e pedir melhorias, e a publicidade busca a mesma coisa, para ter maior alcance nas divulgações.

Não, pois arte é algo que se faz por que gosta, a publicidade, mesmo sendo uma forma de "manifestação" não se pode considerar arte, pois é feita apenas para ganhar de dinheiro.

É valido qualquer lugar que possa divulgar seu marketing, seja nas ruas, televisão, rádios, panfletos ou outdoor.

A intervenção do artista teria mais resultado se estiver interagindo com o publico, falasse, ja o outdoor estaria parado, seria necessário que as pessoas parassem para ver, e nem sempre as pessoas param para ver o que esta lá.

Luana Siqueira disse...

Luana Siqueira Santana 3ºA n°29

A publicidade não é a mesma de antes, está utilizando varias estratégias para chamar atenção do público alvo, pois as pessoas não estão mais se interessando tanto pelas propagandas que aparecem na mídia. Com isso, os publicitários precisaram de novas ideias e criações para conseguir lucrar mais.
Sim, pois uma arte (ou artista) não deixa de ser arte só por lucrar com isso.
Sim. Arte não é apenas aquilo que achamos que é arte, a arte pode não ser vista pelos olhos de todos mas se o artista considerar que é arte, vai ser legítima.
A intervenção do artista é legítima mas não tão bem pensada. Ele poderia ter usado outras formas para divulgar seu trabalho, pois em um outdoor nem todos param para olhar.

Anônimo disse...

Lucia Lima Nº30 3ºA
* A publicidade está usando novas estratégias com o objetivo de chamar a atenção das pessoas. A arte precisa evoluir, e visto que a publicidade faz parte da arte, ela precisa evoluir também para que fique mais atrativo para as pessoas.
* Sim, a publicidade em si já é uma forma de arte e utilizando essas estratégias, fica mais fácil para as pessoas entenderem que elas estão ligadas.
* Sim, porque a publicidade não precisa ficar presa a um padrão como outdoors ou cartazes. É até bom que ela se desprenda disso para não virar algo monótono ou chato.
* Considero legítima sim, pois a arte é uma coisa livre e o artista tem a liberdade de fazer o que quiser para melhorar as coisas. Na minha opinião, não há nada (se sim, é pouca coisa) que o artista faça que pode ser considerado ilegítimo.

Anônimo disse...

A publicidade tem vários objetivos ótimos e as pessoas acham muito importante porque diz sobre vários assuntos e a Arte faz parte da publicidade, precisa melhorar mais a Arte para que mais pessoas possam se interessar.
Sim, a publicidade é uma parte de Arte as pessoas conseguem utilizar a Arte no meio da publicidade.
Sim, porque a publicidade não fica em cartazes é meio que livre .
sim considero, porque a Arte tem seu alto padrão de poder expressão o artista pode fazer o que quer se expressar em Artes, caso ao contrario seria uma forma de artes muito chata. È bom der sua própria opinião.
Emmily Chiqueto N°32 3°A

Anônimo disse...

A publicidade não funciona se houver um péssimo produto, que está destacada nos melhores, já a expressão da rua (Graffits, Tags e Gluearts) só são manifestações contra ou a favor de algo ideologico.
Guilherme 3D, N°35

Anônimo disse...

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